Arte Menor

Património do Porto restaura-se “pela Cultura, não para o turismo”

Posted in Arquitectura, Fotografia, Jornalismo by André Sá on 19 de Setembro de 2014
Teatro Nacional de São João. Foto: Paulo Américo (TNSJ)

Teatro Nacional de São João, por Paulo Américo (TNSJ).

Publicado pela agência Lusa a 12 de Setembro de 2014.

O secretário de Estado da Cultura considerou hoje, à margem da apresentação da fachada recuperada do Teatro Nacional de S. João (TNSJ), no Porto, que o restauro do património edificado faz-se porque “a Cultura vale por si própria.”

“A Cultura não se faz pelo turismo”, declarou Jorge Barreto Xavier, ressalvando que a renovação de edifícios emblemáticos da cidade do Porto pode e deve também ser “articulada com aspetos educativos e turísticos”, ainda que não com o único propósito de cativar novos visitantes à cidade.

O presidente da Irmandade dos Clérigos, Américo Aguiar (2-E) descreve as obras no monumento portuense ao secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier (2-D). © André Sá, 2014.

O presidente da Irmandade dos Clérigos, Américo Aguiar (2-E) descreve as obras no monumento portuense ao secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier (2-D). © André Sá, 2014.

Horas antes, o secretário de Estado passava pela Igreja dos Clérigos, em processo de requalificação orçado em cerca de 2,6 milhões de euros e com abertura prevista para 12 de dezembro, para terminar o périplo pelo património edificado do Porto, que passou ainda pela Igreja de Santa Clara, numa exibição de uma curta-metragem sobre a renovação do TNSJ, decorrente de um investimento de 960 mil euros.

Andaimes na Igreja dos Clérigos, Porto, a 12 de Setembro de 2014. © André Sá.

Andaimes na Igreja dos Clérigos, Porto, a 12 de Setembro de 2014. © André Sá.

“Não fazemos este projeto por causa do turismo, mas ainda bem que o turismo pode beneficiar dele”, reiterou Jorge Barreto Xavier, frisando que se “historicamente, a Fundação de Serralves e a Casa da Música têm desempenhado um papel importante na marca do Porto contemporâneo, o conjunto dos equipamentos culturais da cidade pode reforçar a sua atratividade para visitantes nacionais e estrangeiros”.

O eixo Serralves-Casa da Música-TNSJ pode ainda consolidar-se com visitas que percorrem as três instituições, que de acordo com a presidente do conselho de administração do Teatro, Francisca Carneiro Fernandes, “vão acontecer muito brevemente”, faltando apenas “acertar alguns detalhes”.

Entrada do Teatro Nacional de São João, a 12 de Setembro de 2014. © André Sá.

Entrada do Teatro Nacional de São João, a 12 de Setembro de 2014. © André Sá.

Quanto a um incremento e diversificação da oferta cultural do TNSJ ao nível da qualidade do restauro à respetiva fachada, Francisca Carneiro Fernandes refere apenas que “seria ideal que assim fosse”, explicando que “isso depende do reforço de recursos que, por enquanto, ainda não podem ser dados como garantidos”.

Para o secretário de Estado da Cultura, há ainda motivos para congratulações com a reabertura do Teatro Rivoli, apesar de remeter comentários sobre a crise diretiva do Coliseu do Porto para a assembleia geral a realizar a 17 de setembro.

Entre as obras que decorriam na nave dos Clérigos, Jorge Barreto Xavier adiantou ainda que a recuperação da Igreja de Santa Clara “tem já aprovado um apoio desde fevereiro de 2014, num trabalho comparticipado pelo Estado, fundos europeus e privados”, cujo montante exato não soube precisar, mas que considerou vir a ser adequado a “uma estrutura notável, cuja reabilitação vai ser muito importante para a cidade”.

Fachada restaurada do Teatro Nacional de São João, por João Tuna (TNSJ).

Fachada restaurada do Teatro Nacional de São João, por João Tuna (TNSJ).

Enquanto o presidente da Irmandade dos Clérigos, Américo Aguiar, assegurava à Lusa que as obras da igreja “estão a decorrer dentro dos prazos”, o secretário de Estado da Cultura manifestava-se surpreendido com a suposição de jornalistas quanto à “invulgar” quantidade de visitas a monumentos portuenses e frequência das suas deslocações à cidade.

“Venho cá com muita regularidade. Se não venho de dez em dez dias, venho de 15 em 15″, garantiu, salientando a renovação do património histórico do Porto como algo que “é importante para todo o país”.

Operário trabalha no restauro da Igreja dos Clérigos, a 12 de Setembro de 2014. © André Sá, 2014.

Operário trabalha no restauro da Igreja dos Clérigos, a 12 de Setembro de 2014. © André Sá.

Reitor da Universidade do Porto avisa que excessos em praxes são “intoleráveis” no novo ano letivo.

Posted in Fotografia, Jornalismo by André Sá on 18 de Setembro de 2014
Pavilhão Rosa Mota, Porto. © André Sá, 2014.

Pavilhão Rosa Mota, Porto. © André Sá, 2014.

Publicado pela agência Lusa a 11 de Setembro de 2014.

O reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, disse hoje, em discurso de boas-vindas aos alunos do ano letivo de 2014-2015, que “excessos de qualquer ordem” decorrentes de praxes académicas serão “pura e simplesmente intoleráveis”.

“Não pretendo, de forma alguma, atingir quaisquer iniciativas que visem promover a integração dos nossos estudantes, pelo contrário, quero apoiá-las”, ressalvou Feyo de Azevedo, reiterando que quaisquer “excessos físicos ou psicológicos, práticas de obediência e discriminação, perturbação da atividade escolar e outros abusos” serão punidos de acordo com a legislação.

Aluno da Universidade do Porto, às portas do Pavilhão Rosa Mota. © André Sá, 2014.

Aluno da Universidade do Porto, às portas do Pavilhão Rosa Mota. © André Sá, 2014.

“Quero recordar que nenhum estudante pode ser obrigado a participar em qualquer ato da praxe académica contra a sua vontade”, declarou o reitor da Universidade do Porto, perante cerca de três mil estudantes e pais, na cerimónia de boas-vindas organizada no Pavilhão Rosa Mota, a que compareceu o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

Sebastião Feyo de Azevedo considerou “lamentáveis os excessos que se têm vindo a observar em praxes académicas”, frisando que lutará por “uma integração dos estudantes sem qualquer tipo de abuso”.

Uma das prioridades da reitoria para o ano letivo de 2014-2015 será também “alargar e qualificar a dimensão social de apoio aos estudantes”, no sentido de proceder a “uma reestruturação dos serviços de ação social”.

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Reitor da Universidade do Porto discursa no Pavilhão Rosa Mota, Porto, a 11 de Setembro de 2014 . © André Sá, 2014.

“Independentemente de me parecer que, já hoje, a nossa comunidade estudantil beneficia de uma sólida estrutura de apoio social, queremos proporcionar melhores condições de apoio em todas as áreas: alimentação, habitação, estudo, saúde e convívio”, declarou Sebastião Feyo de Azevedo.

Nesta cerimónia de boas-vindas aos cerca de quatro mil novos alunos da Universidade do Porto, foi também salientada a taxa de preenchimento de vagas da instituição, a mais alta do país, na ordem dos 96%, assim como o facto de ter sido a preferida pelos candidatos ao Ensino Superior.

Em discurso de boas-vindas, Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, considerou que estes dados fazem da Universidade do Porto a “instituição mais importante da cidade”.

Faculdade de Direito da Universidade do Porto. © André Sá, 2014.

Universidade do Porto vai “trabalhar a fiado” até 2015 

O reitor da Universidade do Porto (UP), Sebastião Feyo de Azevedo, disse ainda, à margem da receção aos alunos deste ano letivo, que a instituição vai “trabalhar a fiado” até 2015, desde o corte de 1,5% no seu orçamento.

“A situação não é muito positiva. Vamos ver qual é a dimensão dos danos. Vamos ver qual é a verba que, de facto, o Governo nos vai devolver, daquilo que já adiantámos de 2014, porque nós estamos a trabalhar a fiado”, declarou o reitor da UP.

Sebastião Feyo de Azevedo expressou uma “esperança de que a situação seja somente má, que não seja péssima”, dado que as decisões do Tribunal Constitucional implicaram o pagamento de “um conjunto de verbas que não estavam previstas” e que a instituição espera ver devolvidas em 2015.

“O que o secretário [de Estado do Ensino Superior] disse é que havia um corte de 1,5 por cento. Eu espero que seja esse o corte”, declarou o reitor da UP, frisando que, caso falte dinheiro, a instituição terá que diminuir apoios e pensar “que património é que poderá recuperar.”

“A Universidade do Porto é uma instituição que não pode viver no limiar de pagar salários”, concluiu.

Há uns dias, um homem que mora na rua ao lado incendiou um colchão e espetou uma faca no peito.

Posted in Fotografia by André Sá on 18 de Setembro de 2014

 

Comoção na Rua do Pinheiro, Porto.

Comoção na Rua do Pinheiro, Porto. © André Sá, 2014.

Um vizinho disse à polícia que o homem ficou parado à porta de casa, sem dizer uma palavra e com a faca a “entrar pela frente e a sair pelas costas”.

Colchão queimado na Rua do Pinheiro, Porto.

Colchão queimado na Rua do Pinheiro, Porto. © André Sá, 2014.

O homem, de 38 anos, foi transportado para o Hospital São João, com ferimentos graves.

Moradora na Rua do Pinheiro transportada para o hospital por inalação de fumo.

Moradora na Rua do Pinheiro transportada para o hospital por inalação de fumo. © André Sá, 2014.

Uma vizinha ficou intoxicada com o fumo do colchão a arder.

Bombeiros na Rua do Pinheiro, Porto, a 12 de Setembro de 2014.

Bombeiros na Rua do Pinheiro, Porto, a 12 de Setembro de 2014. © André Sá, 2014.

O homem entrou na ambulância ainda com a faca a trespassá-lo.

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Milhares na Foz assistem ao “banho-santo” de São Bartolomeu

Posted in Fotografia, Jornalismo by André Sá on 6 de Setembro de 2014

Publicado pela agência Lusa a 24 de Junho de 2014.

Milhares de pessoas assistiram ao desfile e ao “banho-santo” de cerca de 350 participantes da tradicional Festa de São Bartolomeu, que vestidos em roupas de papel, mergulharam no mar da Praia do Ourigo, na Foz do Porto.

©André Sá 2014

Cortejo de São Bartolomeu na Rua do Coronel Raúl Peres, Foz do Porto, a 24 de Agosto de 2014.

Os banhos são precedidos de um cortejo alegórico pelo Passeio Alegre, que este ano contou com o desfile de 28 figurantes da união de freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, trajados em papel delicado que serve depois de arremesso, do mar para terra, à medida que os fatos se desmancham no “banho-santo” e são atirados a quem se limita a assistir.

André Sá  © 2014

Cortejo de São Bartolomeu na Rua do Coronel Raúl Peres, Foz do Porto, a 24 de Agosto de 2014.

 

 

 

Cortejo de São Bartolomeu na Rua da Praia, Foz do Porto, a 24 de Agosto de 2014.

Cortejo de São Bartolomeu na Rua do Coronel Raúl Peres, Foz do Porto, a 24 de Agosto de 2014.

Estima-se que esta tradição andrajosa tenha mais de 150 anos, mas a explicação para as suas origens varia de acordo com quem conta a história. Nuno Ortigão, presidente da Junta da união de freguesias, assegura que “ninguém sabe muito bem como é que isto surgiu”. Para Eduardo Oliveira, “nascido e criado” na Foz do Douro, terá “algo a ver com as pessoas pobres vestirem-se com papel de jornal, antigamente”.

©André Sá 2014

Portuenses no tradicional “banho-santo” das Festas de São Bartolomeu, na Foz do Porto, 24 de Agosto de 2014.

Acabado de sair do mar, Eduardo Oliveira dizia à Lusa que, na qualidade de presidente do Orfeão da Foz do Douro, já se lançou ao “banho-santo mais de dez vezes”, no espírito de uma tradição que remonta à altura em que “as pessoas com poucas possibilidades faziam a sua própria roupa, até com jornais, que depois se desfaziam ao tomar banho”.

©André Sá 2014

Banhista sai da água enquanto outros atiram as próprias roupas de papel como armas de arremesso, no tradicional “banho-santo” das Festas de São Bartolomeu, na Foz do Porto, 24 de Agosto de 2014.

“Tinham que ir à água sete vezes”, explicou o presidente do Orfeão da Foz do Douro, esclarecendo que “só assim expulsavam todos os males que iam acumulando ao longo do ano”.

©André Sá 2014

Banhista observa o tradicional “banho-santo” das Festas de São Bartolomeu, na Foz do Porto, 24 de Agosto de 2014.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Orfeão da Foz fez-se representar entre outras coletividades que envergavam trajes alusivos ao que mais caracteriza as respetivas freguesias, desde os candeeiros públicos pintados de verde do Passeio Alegre, às janelas das casas da Foz Velha, com a participação da Academia de Dança e Cantares do Norte de Portugal, a Escola EB S. João da Foz e a associação Paraíso da Foz.

©André Sá 2014

Rapariga observa o tradicional “banho-santo” das Festas de São Bartolomeu, na Foz do Porto, 24 de Agosto de 2014.

Para Susana Pinto, contabilista de 41 anos, desfilar com a Escola S. João da Foz foi um regresso “aos tempos de pequenina”, com a vantagem de agora poder viver mais a experiência, já que enquanto criança não tinha “tanta noção” da originalidade da festa.

“É um evento único que as pessoas têm mantido com muito amor e muito carinho”, considerou o presidente da união de freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, classificando o evento como “algo único no país”.

© André Sá 2014

Roupas de papel desfeitas no tradicional “banho-santo” das Festas de São Bartolomeu, na Foz do Porto, 24 de Agosto de 2014.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo Nuno Ortigão, falta apenas tornar a festa “mais inclusiva nos próximos anos, para que qualquer pessoa possa participar”.

Portuenses no tradicional “banho-santo” das Festas de São Bartolomeu, na Foz do Porto, 24 de Agosto de 2014.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens: André Sá  © 2014.

Barco Dalva vence XXXI Regata dos Barcos Rabelos em corrida atípica

Posted in Jornalismo by André Sá on 25 de Junho de 2014

Publicado pela agência Lusa a 24 de Junho de 2014.

A tradicional Regata de Barcos Rabelos voltou a realizar-se em dia de S. João, a partir do Cabedelo até à Ponte D. Luís, no Porto, e sob condições atmosféricas atípicas, de pouco vento e chuva intensa, mas com um efeito benéfico para a competição.

Pormenor da XXXI Regata de Barcos Rabelos, Porto © André Sá 2014.

Pormenor da XXXI Regata de Barcos Rabelos, Porto © André Sá 2014.

Com 14 barcos rabelos em representação do mesmo número de vinhos do Porto, a corrida foi mais renhida que o habitual, com praticamente todas as embarcações a competir lado a lado, quando normalmente navegam já dispersas pouco após o arranque da regata.

Segundo o ‘skipper’ do rabelo da Dalva, Jorge Dias, que venceu a competição, esta foi uma “corrida fantástica”, com a chuva como “elemento surpresa” e, dos últimos anos, a corrida em que os barcos “estiveram juntos durante mais tempo”.

Jorge Dias recordou ainda que esta foi apenas a sua terceira participação na regata, sendo que da primeira vez partiu o mastro, da segunda ficou “a meio da classificação”, à terceira foi de vez e, portanto, “foi fantástico”.

Numa embarcação providenciada pela Confraria do Vinho do Porto, que organiza a regata, para acompanhar os rabelos, Lance Hurtubise, empresário da restauração oriundo de Alberta, Canadá, disse à Lusa que “a regata é ótima, muito divertida”. E que tem “muito vinho do Porto”.

Para o empresário, que visita Portugal pela primeira vez, a corrida “parecia pintada”, dado o vagar com que os rabelos navegavam num dia de pouco vento, mas terá valido a pena a viagem também pela noite de S. João, apesar dos martelos “um pouco barulhentos demais” para o seu gosto.

“Nós sabemos que normalmente o S. João não se dá muito bem com o S. Pedro”, disse à Lusa Manuel Cabral, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), lembrando as ocasionais “orvalhadas” do mês de junho, mas admitindo que não se lembra de “uma regata com tanta chuva”.

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XXXI Regata de Barcos Rabelos sob a Ponte da Arrábida, Porto © André Sá 2014.

“A relação entre os dois santos não deve ser a melhor”, supôs o presidente do IVDP, constatando o pouco vento que se fez sentir e a ausência de “toda uma série de coisas que normalmente acontecem” e que ficaram de fora desta XXXI regata.

“No princípio, é normal haver velas que rasgam e mastros que partem”, considerou Manuel Cabral, salientando “uma coisa verdadeiramente atípica, mas que é muito bonita” desta regata, o facto de os conjuntos de velas terem estado tanto tempo lado a lado, permitindo “um pano de fundo muito invulgar”.

O quadro atípico acabou por favorecer o objetivo da regata, concluiu o presidente do IVDP, sublinhando que “o que é importante é mostrar muito e de uma forma idêntica as diferentes marcas e empresas e o vinho do Porto de uma forma geral.”

“E isso está a acontecer muito bem”, disse, enquanto ainda decorria a competição no rio Douro.

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Placa de ferro ao sol depois da chuva no largo Alberto Pimentel, Porto, a 19 de maio de 2014.

Posted in Fotografia by André Sá on 19 de Maio de 2014

Placa de ferro ao sol depois da chuva no Largo das Oliveiras, Porto, a 19 de maio de 2014, por volta das duas da tarde.

Elétricos do Porto: entre o correio e o “fumista”

Posted in Jornalismo by André Sá on 4 de Maio de 2014

Publicado pela agência Lusa a 3 de Maio de 2014

Cerca de uma dúzia de carros elétricos desfilaram hoje pela marginal do rio Douro em comemoração dos 100 anos da  extensão da  antiga  carreira que  ia  da  avenida  da  Boavista  até  ao Castelo do Queijo, no Porto.  Já na sua 24.ª edição, o cortejo partiu do Museu do Carro Eléctrico em direção ao Passeio Alegre, perante o acenar de milhares de pessoas, que até no meio do rio Douro saudaram os carros de outros tempos, com remos ao alto e sorrisos rasgados.

Para Isabel Moreira, guarda-freio da STCP – Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, o carro elétrico consegue ser mais do que uma atração turística ao permanecer útil para a população, pelo que lamenta o desaparecimento de várias linhas e sobretudo o mau estacionamento de muitos condutores, que a impedem regularmente de circular sobre os carris e que são um “problema do dia-a-dia”.

Segundo o guia e também guarda-freio da STCP Pedro Rocha, o desfile do carro elétrico “é uma forma de brindar os portuenses” com a presença dos veículos que também considera ainda úteis, até porque ainda vê “muitos utentes com passe mensal”.

“É o que acontece aqui, nesta região de Massarelos”, explicou, referindo que “ainda se utiliza muito o 18 para ir ao Hospital de Santo António ou para ir até à Baixa” e que “muitos preferem o carro elétrico ao autocarro.”  O guarda-freio de 31 anos entende que as principais curiosidades deste meio de transporte secular passam pelo “carro americano de tração animal, da década de 70 do século XIX, ou o ‘fumista’, pensado no bem-estar dos fumadores.”

“Nos outros carros só se podia fumar das nove às quatro da tarde”, contou, explicando que naqueles se podia fumar desde o início do serviço, porque eles já vinham para a rua sem janelas, o que era um sério sarilho”, por o clima do Porto ser “muito instável”.

Alvarim Teixeira, de 70 anos, ainda deu “alguns tombos”, quando era criança, ao apanhar boleias clandestinas em vários elétricos e até ao saltar em andamento “e a grande velocidade”. “Recordo-me ainda de que havia um elétrico que tinha uma caixa de correio”, disse à Lusa, explicando que as pessoas punham lá as cartas e, no final do dia, enviava-se tudo para o edifício dos Correios.”

"STCP 143, a 1910 Brill-23 semiconvertible 'Plataforma Salão' 4-wheel tram on Rua dos Mártires da Liberdade, on 11 June 1974. This narrow street was used by outbound services 7 and 8, but 143 appears to be on an un-numbered short working to Praça da República. 143 survives in the STCP operational heritage fleet."

Carreira 143 na Rua dos Mártires da Liberdade, a 11 de Junho de 1974. © Guy @ https://flic.kr/p/bTcMvD

“Era uma coisa extraordinário”, recordou.

Alvarim Teixeira trabalhou na STCP durante 29 anos, em Massarelos, e recordou, sem disfarçar a saudade, os tempos em que “havia o 10, que ia do Bolhão a Venda Nova, em Rio Tinto”, e em que o bilhete “ficava por uma média de 15 tostões.”

“Venho com os meus netos para lhes mostrar aquilo em que trabalhei”, admitiu, desejando que o desfile continue por muitos anos: “Na realidade só vem engrandecer a cidade do Porto.”


   ACYS // ROC

   Lusa/Fim

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Cartas | Condomínios

Posted in Fotografia by André Sá on 28 de Abril de 2014
Cartas | Condomínios

Vista para a Rua Formosa, Porto, a 28 de Abril de 2014. © André Sá

 

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O clube de xadrez mais antigo do país fica na Rua Passos Manuel e precisa de alunos

Posted in Jornalismo by André Sá on 28 de Abril de 2014

Publicado pela agência Lusa a 2 de Agosto de 2013

Subir os degraus até ao Grupo de Xadrez do Porto é ouvir o som de peças a cair, insistentes, em madeira, consecutivas ou alternadas pelo bater em cronómetros de mesa, às pancadas, como quem desperta o próximo lance. É esse o som do xadrez rápido, uma de entre várias modalidades do jogo milenar que são ensinadas no primeiro grupo de xadrez surgido em Portugal.

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Passeio da Rua Passos Manuel a 28-04-2014. © André Sá.

Fundado em 1940 “por um grupo de amigos”, segundo o atual presidente, Joaquim Pinho, o Grupo de Xadrez do Porto (GXP) foi urdido na cave do antigo Café Monumental, então na avenida dos Aliados, e já não tem espaço para mais alunos.

“Temos pedidos de alunos para virem aprender, mas não temos condições, porque a sala é pequena”, lamentou o presidente, que apela a ajudas monetárias e logísticas para o que supõe ser também “o clube de xadrez mais antigo da Península Ibérica”.

“É um clube que não podia fechar as portas”, diz, aludindo às razões por que aceitou ser presidente, há já sete anos, da associação que atualmente conta com “150 sócios a pagar quotas e cerca de 30 alunos dos cinco aos 14 anos”. Para o presidente do GXP, “os cinco anos de idade são a altura ideal para começar a jogar xadrez”, até porque a prática do jogo “faz com que as pessoas fiquem maduras mais rapidamente”.

Com 16 peças por jogador e 64 quadrados por onde avançar, um jogo de xadrez permite, em teoria, um número de jogos possíveis superior ao de átomos no universo, algo que para Joaquim Pinho reflete o seu poder didático. “As pessoas, quando jogam, têm que tomar atitudes que se vão refletir no resto do jogo. Como quando crescem, na vida real, e tomam atitudes que se refletem no seu dia-a-dia”, considera, acreditando que o xadrez “ajuda as pessoas a preparar-se para o resto da vida.”

Ao nível físico, a modalidade pode ser igualmente exigente, na medida em que “quando se está a olhar para o jogo, estamos a ver centenas de hipóteses e chega a ser muito cansativo”, explica Joaquim Pinho, contando que “o Kasparov [antigo campeão mundial de xadrez] dizia que chegava a emagrecer dois quilos por jogo”.

Numa pausa de um “duelo de cérebros”, que é como descreve o jogo, Augusto Pires, reformado de 74 anos, diz à Lusa que o xadrez“é um elemento fundamental para que os neurónios continuem em atividade”. “Uma partida pode demorar três, quatro, cinco ou seis horas e, a partir de uma determinada altura, depois de muitas horas de concentração e reflexão, acaba por ser muito cansativo”, concorda o “veterano”, que começou a jogar xadrez assim que se reformou.

Também para Hermenegildo Ribeiro, aposentado de 79 anos, o jogo do xadrez obriga a “puxar pela cabeça”, desde que começou a jogar “há relativamente pouco tempo, por volta dos 50 anos de idade”, sobretudo porque fez amigos no GXP e criou “o hábito de ir jogar todos os dias”.

Os duelos que se habituaram a travar ao longo das tardes dos dias de semana permitem-lhes combater também alguma solidão e conviver com jogadores mais jovens, que os vão desafiando e sendo testados, à medida que tentam outras vias para chegar ao cheque mate.

Do Grupo de Xadrez do Porto saem todos os anos jogadores que competem em três divisões nacionais e uma distrital. “Tal como no futebol”, compara o presidente, explicando que há também uma “liga dos campeões”, dedicada apenas ao xadrez por correspondência, em que “por acaso” o GXP tem também uma equipa.

“Antigamente jogava-se por carta e, por exemplo, se eu estivesse a jogar com um russo, cada jogada demorava três meses. Demorava anos, o jogo”, recorda Joaquim Pinho.

A dois anos de cumprir as bodas de diamante, o Grupo de Xadrez do Porto poderá albergar um torneio internacional da modalidade, “algo que se vê pouco no norte do país”, considera o dirigente, que prefere não revelar muitas jogadas do que pretende para o futuro do clube.

“Uma vez perguntaram ao Kasparov quantos lances ele via à frente de cada jogada. E ele disse que apenas um. Mas sempre o melhor”, disse à Lusa.

 

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A propósito do 50º aniversário da Ponte da Arrábida

Posted in Arquitectura, Jornalismo by André Sá on 27 de Abril de 2014

Realizado para a agência Lusa: Ana Cristina Gomes (Texto), André Sá (Vídeo) e José Coelho (Fotos)

Monumento nacional, obra de complexa engenharia que deu ao Porto um novo centro na Boavista, um arco de betão que ficou para a história e quatro elevadores sem uso, a Ponte da Arrábida comemora 50 anos.

O arco em betão servia de travessia aos trabalhadores que dormiam no estaleiro de Gaia, ia ver-se a obra como se fosse cinema, muitos quiseram observar se caía a ponte, mas quem morava ali não tinha desses receios.

«Não caía, não. Se andavam a fazer de novo ia cair? Só se fosse velha…», simplifica Maria das Dores, 86 anos, moradora no quase centenário bairro de Sidónio Pais, no Porto, desde que começou a construção da ponte da Arrábida.

Cinquenta anos depois da inauguração de umas das obras-primas de Edgar Cardoso, a 22 de junho de 1963, sobram memórias da construção da travessia que fez vista por ter à data o maior arco do mundo. Manuel Rito atravessou-o, dias seguidos: como trabalhava na ponte e dormia em Coimbrões, Gaia, «onde o empreiteiro tinha um estaleiro” teve direito a “um cartão para atravessar o arco».

                       

«Não tinha medo nenhum, o medo que podia ter na altura é o mesmo que posso ter agora a atravessá-la a pé», garante o homem de 68 anos, que trabalhou na travessia quanto tinha «18 ou 19». «Íamos dormir para lá e vínhamos de lá para cá para trabalhar», recorda.

Para Maria das Dores, o arco era uma coisa «natural» para quem «nunca tinha visto fazer pontes», o pior foi o filho, «atravessado», que lhe fugiu «para ir andar em cima daquela coisa [do arco], sujeito a cair».

«Lembro-me de começarem a fazer, ainda o Salazar era vivo… Posso falar no Salazar, não posso? Ele morreu… Veio ali muito em segredinho, caladinho, viu a ponte e espantou-se. Não esteve com muita conversa, que tinha medo. Não era com a ponte, era com as pessoas, andavam com raiva a ele, agora andam com raiva a outros», descreve.

Quase parece mito, esta visita do chefe de Estado, mas está documentada a presença do Presidente da República Américo Tomás na inauguração da travessia e no «momento crucial» da obra, quando lhe coube carregar nos botões para retirar à «primeira costela da ponte» o cimbre (estrutura metálica provisória) que suportara a sua construção, relata João Cardoso, sobrinho de Edgar Cardoso.

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